AsBEA-SC participa da Conferência Internacional de Arquitetura e Urbanismo em Brasília

A Conferência Internacional de Arquitetura e Urbanismo, realizada de 4 a 6 de setembro em Brasília, consolidou-se como o maior encontro já promovido pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR). Com o tema “Arquitetura e Urbanismo para todos”, o evento reuniu cerca de 4 mil participantes de mais de 20 países e 130 palestrantes em três dias de programação. E trouxe à tona debates sobre habitação, mobilidade urbana, preservação do patrimônio, meio ambiente, acessibilidade e inovação, colocando o Brasil no centro de um diálogo global. 

Para a presidente da AsBEA-SC, arquiteta Maria Aparecida Cury Figueiredo (Pari), a grandiosidade do evento merece destaque. “Foi um feito inédito. Nunca na história do CAU houve uma conferência desse porte. É preciso reconhecer o trabalho e a visão da presidente do CAU-BR, a arquiteta Patrícia Sarquis Herden, que conseguiu reunir arquitetos de referência de diferentes países e promover um diálogo profundo sobre os rumos da profissão. Registro aqui meus parabéns a ela e a toda a equipe pela organização da Conferência”, afirmou. A AsBEA-SC esteve representada no evento também pela arquiteta Eliane Castro, vice-presidente Financeiro/Administrativo, pela arquiteta Marina Makowiecky, suplente da Vice-Presidência de Comunicação, e pelo arquiteto Fernando Loch, diretor de Expansão/Inovação da entidade. Diversos profissionais de escritórios associados da AsBEA-SC também prestigiaram a Conferência Internacional.

A presença da AsBEA-SC reforçou seu compromisso em integrar os grandes debates da arquitetura e urbanismo contemporâneos, ampliando conexões e trazendo novos referenciais para a atuação dos escritórios catarinenses.

 

Kongjian Yu, referência mundial com o conceito de cidades-esponja

Grandes temas em debate 

Entre os destaques da programação, esteve a palestra magna de abertura do arquiteto chinês Kongjian Yu, reconhecido e premiado como referência mundial com o conceito de cidades-esponja. “Nunca vamos lutar contra a água e vencer”, enfatizou, acrescentando que os danos causados pelo ciclo da água são mais perigosos do que as próprias emissões de carbono para as cidades. Segundo ele, o conceito já é referência em mais de 250 cidades no mundo e virou política nacional da China. Yu apresentou possíveis soluções para que metrópoles como Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre sejam transformadas em cidades-esponja. “Vejo o Brasil como a última esperança para salvar o planeta”, pontuou. 

Outra conferência de destaque foi a do arquiteto português Miguel Saraiva, que apresentou experiências de retrofit em patrimônio histórico, transformando edifícios em novos usos como hotéis boutique. “O que precisamos é de uma visão que valorize o passado para projetar o futuro”, disse ele, fundador do ateliê Saraiva + Associados, que conta com uma equipe de mais de 120 arquitetos e atuação em diversos países. Saraiva destacou a qualidade de projetos brasileiros e reconheceu o país como referência em soluções urbanas que conciliam tradição e inovação. “A responsabilidade do arquiteto parte sempre da sociedade e volta para ela. Nosso trabalho é criar cidades vivas, seguras e habitáveis sem abrir mão do patrimônio que nos constitui”, complementou. 

A arquiteta mexicana Sara Topelson, em sua palestra, tratou sobre a importância da interconexão entre bairros para que as cidades tenham mais espaços públicos, os quais, segundo ela, “estruturam e organizam a cidade”. E compartilhou resultados de um estudo realizado com 140 cidades no México, ressaltando as diferenças entre elas e a necessidade de repensar os espaços urbanos. “Todos os bairros são diferentes, têm suas comunidades diversas, é aí que está o brilho de cada um deles”, pontuou Sara,
Doutora Honoris Causa pela Universidad Anáhuac, fundadora do DOCOMOMO México e acadêmica emérita da Academia Nacional de Arquitetura. Sara Foi a primeira mulher presidente da União Internacional dos Arquitetos (UIA), entre 1996 e 1999. 

Além da forte participação internacional — que contou inclusive com a presença de presidentes de conselhos profissionais de outros países —, a conferência foi marcada pela troca de experiências e pelo reconhecimento da arquitetura como ferramenta de transformação social. Um momento marcante foi a participação do arquiteto brasileiro Gustavo Penna e da arquiteta Laura Penna, que compartilharam a experiência de concepção do Memorial de Brumadinho, obra de grande repercussão nacional e internacional. 

A Conferência também oportunizou importantes debates sobre temas da prática dos escritórios de arquitetura, como BIM, iluminação, arquitetura de interiores, eficiência energética, conforto acústico, e outros, relacionados à gestão, como empreendedorismo e formalização de contratos.

 

 

Intercâmbio institucional

A AsBEA-SC celebrou também as oportunidades de intercâmbio institucional promovidas durante a Conferência.  A presidente Maria Aparecida Cury Figueiredo participou da Reunião Ampliada do Colegiado de Entidade de Arquitetura e Urbanismo (CEAU-BR) e dos CEAUs do CAU-UFs. Outro momento de integração entre os profissionais ocorreu no jantar de confraternização dos presidentes das AsBEAs, quando a delegação catarinense esteve ao lado do presidente e da vice-presidente da AsBEA Nacional, arquitetos Danilo Batista e Miriam Addor, além das lideranças de outros estados, como o arquiteto Moah Torres, presidente da AsBEA Bahia, que sediará a Convenção Nacional AsBEA, em outubro deste ano. O encontro reforçou a união da rede de regionais.

 

A conferência foi ainda palco para o intercâmbio acadêmico. A AsBEA-SC apoiou a participação de estudantes da Unicesusc, com patrocínio de camisetas produzidas especialmente para a ocasião. O grupo esteve acompanhado dos professores Ronaldo Martins e Ricardo Fonseca, ambos titulares de escritórios associados AsBEA-SC, valorizando a formação e o envolvimento das novas gerações de arquitetos.

Realizado pelo CAU/BR em parceria com o American Institute of Architects (AIA) International e o AIA América Latina, a Conferência Internacional CAU 2025 contou com o institucional das entidades do Colegiado das Entidades Nacionais de Arquitetura e Urbanismo (CEAU-CAU/BR): Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (ABAP), Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (ABEA), Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (AsBEA), Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA), a Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (FeNEA) e o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). A próxima edição será realizada na região Nordeste, em 2028.

 

 

Turma da Unicesusc com a presidente do CAU-BR, arquiteta Patrícia Sarquis Herden